Notícias

ETFs de renda podem diminuir a volatilidade do Bitcoin

O Goldman Sachs, um dos gigantes do mercado financeiro, com mais de US$ 3 trilhões (cerca de R$ 18 trilhões) em ativos sob gestão, deu um passo interessante ao protocolar uma solicitação para lançar o Goldman Sachs Bitcoin Premium Income ETF. Esse produto é projetado para gerar renda periódica aos investidores, utilizando uma estratégia chamada covered-call, que envolve a venda de opções sobre uma parte da exposição ao Bitcoin. Ao mesmo tempo, a BlackRock, que movimenta mais de US$ 10 trilhões (aproximadamente R$ 60 trilhões), também está considerando algo na mesma linha.

Com o Bitcoin negociando em torno de US$ 74.000 (cerca de R$ 444.000), surgem questionamentos sobre se esses ETFs de renda serão capazes de reduzir a volatilidade do Bitcoin, que é conhecido por suas oscilações marcantes, ou se essa compressão de volatilidade pode acabar retirando o atrativo que torna o Bitcoin uma opção alternativa para investidores.

O que explica essa movimentação?

Para simplificar, pense na cena de um Jockey Club durante uma corrida de cavalos. Os apostadores compram ingressos (são os compradores de opções) e o Jockey, a instituição, vende esses ingressos, garantido sua renda. Para se proteger de surpresas, a casa faz ajustes nas apostas ao longo do dia. Esse conceito se encaixa bem em como os ETFs de covered-call funcionam no mercado de Bitcoin: eles vendem opções sobre a quantidade de Bitcoin que possuem e utilizam esse dinheiro como renda para os cotistas. Assim, os dealers que compram essas opções precisam comprar Bitcoin quando o preço cai e vender quando sobe, criando um efeito de amortecimento na volatilidade.

Essa mecânica já é observada em mercados tradicionais, como no ETFs do S&P 500, que ajudam a suavizar as oscilações de preço e oferecem dividendos mensais. A grande novidade é a aplicação desse modelo ao Bitcoin, que historicamente tem uma volatilidade muito maior.

O que os dados revelam?

  • Volatilidade do BTC: A volatilidade implícita do Bitcoin caiu de 120%-130% em 2021 para a faixa de 55%-70% hoje. Mesmo assim, isso ainda é bem mais alto que o ouro e o S&P 500. A entrada de grandes vendedores de opções pode fazer essa volatilidade cair para menos de 50%, tornando o Bitcoin mais atrativo para investidores mais conservadores.

  • Solicitação do Goldman Sachs: O ETF proposto pretende alocar 80% dos ativos em produtos lastreados em Bitcoin e, em momentos de alta venda de opções, quase todo o volume estará gerando renda para os investidores. Esse movimento tende a estabilizar a volatilidade.

  • JEPI como exemplo: O ETF JEPI da JPMorgan, que conseguiu acumular rapidamente um patrimônio considerável, serve como um modelo a se seguir. Se o ETF do Goldman Sachs tiver sucesso, isso poderia alterar significativamente o mercado de Bitcoin.

  • Fluxos institucionais: Desde a aprovação de ETFs de Bitcoin nos EUA, o mercado já acumulou mais de US$ 50 bilhões em entradas líquidas, embora tenha enfrentado algumas saídas recentes. Produtos que geram renda, como os ETFs de covered-call, podem ajudar a estabilizar esses fluxos.

  • Preço do BTC: O Bitcoin enfrenta resistência técnica em torno da média móvel de 100 dias. Essa média pode ser um indicador importante para movimentos futuros no preço.

Com todos esses dados, fica claro que o mercado está em uma fase de transformação. A volatilidade do Bitcoin já é menor e a introdução de ETFs pode acelerar essa mudança, passando o BTC de um ativo altamente especulativo a um dos componentes de uma carteira diversificada.

ETFs de covered-call: fortalecem ou apenas domesticam a volatilidade do Bitcoin?

Cenário otimista: Se a SEC aprovar o ETF do Goldman Sachs em breve, o património poderia alcançar US$ 10 bilhões no primeiro ano, o que forçaria uma dinâmica de mercado que pode reduzir a volatilidade do Bitcoin e permitir que ele se valorizasse ainda mais.

Cenário base: A aprovação se arrasta e o Bitcoin fica em uma faixa de preços moderada. Mantendo-se bullish, a volatilidade continua a se comprimir, embora de maneira gradual.

Cenário pessimista: Se a SEC decidir rejeitar o pedido ou atrasar a aprovação, isso pode desencadear uma queda significativa no valor do Bitcoin.

O que muda na estrutura do mercado?

A introdução da venda de opções em larga escala pelos ETFs cria um fluxo de pressão vendedora que pode diminuir a volatilidade do Bitcoin. Isso torna o BTC, em sua forma atual, um ativo mais atraente para uma nova classe de investidores, como gestores de renda fixa, que buscam uma distribuição de retorno mais estável.

Se o Bitcoin se consolidar como um ativo gerador de renda, as abordagens de alocação de portfólios passarão a incluí-lo mais frequentemente, reduzindo a dependência de especulações de curto prazo e aumentando a sua aceitação entre os investidores institucionais.

Como isso afeta o investidor brasileiro?

Com o Bitcoin a US$ 74.000, os ganhos potenciais podem ser significativos. Se o preço chegar a US$ 90.000, a valorização seria de 21,6%, o que representa um bom retorno em reais. Contudo, a flutuação do câmbio deve ser levada em conta.

Os investidores brasileiros não têm acesso direto aos ETFs americanos, mas podem investir através de produtos locais, como os ETFs HASH11 e QBTC11, disponíveis na B3. Para quem prefere comprar BTC diretamente, exchanges como Mercado Bitcoin e Binance Brasil ficam como opções.

É fundamental estar atento às obrigações fiscais: a tributação sobre lucros acima de R$ 35.000 deve ser considerada, além da declaração de ganhos cambiais no IR.

Uma estratégia recomendada para quem está começando é o Dollar Cost Averaging. Ao investir uma quantia fixa mensalmente, você dilui riscos e melhora seu custo médio em períodos de alta volatilidade. Em contrapartida, operar com alavancagens é um ponto a ser evitado, pois pode trazer riscos altos.

Quais limiares financeiros importam agora?

  • US$ 74.000: Zona de indecisão para o Bitcoin, se mantido acima desse nível, podemos ter um sinal positivo.

  • US$ 76.000: Um teto recente que, se rompido, abre caminho para aumentos de preço.

  • US$ 80.000: Um nível psicológico que pode alterar as narrativas de mercado, se superado.

  • Volatilidade abaixo de 50%: Isso seria um indicativo de que o mercado já antecipa os efeitos positivos dos ETFs.

  • US$ 65.000: Um suporte importante que, se perdido, pode indicar uma reversão de tendência.

  • AUM acima de US$ 3 bilhões no ETF do Goldman Sachs: Esse valor seria crucial para que o produto impactasse a volatilidade do Bitcoin.

Riscos e o que observar

Risco de rejeição: A SEC é rigorosa na análise de produtos. Uma rejeição poderia atrasar os planos do ETF.

Canibalização do upside: Os ETFs de covered-call podem gerar frustração se o Bitcoin disparar, já que esses produtos limitam ganhos acima das strikes vendidas.

Risco macroeconômico: A correlação do Bitcoin com o mercado tradicional está alta. Qualquer movimento negativo dos índices pode afetar o BTC.

Compressão de volatilidade: Se a volatilidade cair muito, pode se tornar uma armadilha, tornando os ETFs menos atrativos.

O que esperar nas próximas sessões

Os próximos dias são cruciais. O comportamento do Nasdaq e a entrada de fluxos nos ETFs de Bitcoin à vista serão fundamentais. Se as tendências forem positivas, podemos ver o Bitcoin se movimentando para superar resistências. Caso contrário, a volatilidade pode retornar e devemos observar se os suportes se mantêm.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo